Torcer é Humano
Publicado em 24-05-2010 17:45
Escrito por Willian Vieira.
Uma paixão. Muitas vozes. Vários sons. Um show repleto de emoções. O maior espetáculo esportivo do planeta está prestes a ter um novo início e fim. Do Oriente ao Ocidente, os príncipes da bola se reúnem para lutar por um único e almejado objetivo: A taça. E apesar da conquista se valer dentro das quatro linhas, há mais gente envolvida. A paixão vai além do que ocorre dentro dos gramados. Ela faz o coração saltar com um chute na trave e nos leva a disputar cromos de cada craque. O mesmo sentimento que faz todos dignos de serem técnicos de suas próprias seleções. A mesma emoção que impulsiona o público a gritar “olé” e gol. Somos quase que reféns deste enredo, pois é o que corre em nossas veias.
Mas em um tempo e espaço onde tudo pode acontecer, alguns de nossos ídolos nem sempre são o que aparentam. Podem acabar agindo por si próprios, esquecendo de olhar ao redor. Denotam frieza. Conduzem a redonda em vez de passá-la aos seus compatriotas. Chutam quando não deviam. Até estufam as redes, mas em favor do ego e não do todo, do coletivo. Seduzidos por centenas de euros ou dólares, passam de heróis a vilões em poucos instantes. Os apaixonados não perdoam. As esperanças de êxito são derrubadas pelos erros cometidos. Na hora do aperto, escondidos em suas máscaras, deixam ainda mais clara a imagem de que a torcida, para eles, não passa de uma peça da engrenagem, de prestígio, que só cumpre seu papel e faz sentido quando está ao seu lado.
Por quê, então, torcer tanto, se o fim, as vezes é tão doloroso e frustrante? Para quê acreditar sem saber se os craques se importam ou não? Por que derramar lágrimas de alegria ou sofrimento, se quem ganha ou perde é quem está em campo e não fora dele? Bem, este é o futebol. Simples assim. E ainda diziam que o tal do football não daria certo, não seria popular. O que diriam se tivessem visto a magia do tal rei Pelé?! Ou quem sabe a maestria e malandragem de Dieguito?! E o líbero marcador Beckenbauer? Que tal um meia clássico como Zidane, talvez.... É bom lembrar também de Stoichkov, Bergkamp, Ronaldo, Gerard Muller, Zico, Bobby Charlton, Johann Cruyff, Gordon Banks, Lúcio… a lista não pára por aí. Difícil não se identificar. Torcer atravessa os tempos e a história. É um vício incessante. Uma identidade. Mas só torce quem é humano.
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